AFINAL, QUAL A DIFERENÇA ENTRE VINTAGE E RETRÔ ?

Fui entrevistada por um grupo de estudantes de uma Universidade em Salvador que cursam Designer de Interiores, a respeito de um tema bastante pertinente no nosso cotidiano profissional: a tendência ao retorno dos Vintages e Retrôs. Reproduzo aqui a entrevista com exemplos ilustrados. Esgueirem-se entre terminologias de REs: redesign, relooké, revival, reedição, restauração...

Redesign atualizado de sofá Louis XV: simplificação de linhas, estrutura prata e estofado em "glamouroso" vinil vermelho.

 
Poltrona Cabriolet e Sofá Louis XV. Relookés através de acabamentos modernos: pátinas e couro metalizados, tecido PVC com impressão de fotos. Atelier Philippe Coudray
 
O que é VINTAGE e o que é RETRÔ?
 
A palavra VINTAGE no século XVIII passou a significar " ano em que foi feito um vinho". Entretanto, ao longo dos anos, a palavra se incorporou ao vocabulário da arte, decoração e moda para definir determinado móvel, objeto, acessório e até mesmo uma peça de roupa que pertenceu a uma outra época. Os requisitos para ser VINTAGE são: pelo menos 20 anos de antiguidade, ser testemunha de um estilo próprio, de um artista ou estilista, não ter sofrido nenhuma alteração (releitura), ser emblemática estar em perfeito estado.  Desta maneira, se trata de um clássico original, de importância ou qualidade reconhecida, seu produto geralmente é encontrado em Antiquário, Brechó, Loja, Bazar .
 
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Cadeira com braços Louis XV da ChezMoi Decoração tel: 71. 3499-4550, por sinal adoro esta loja, pois contém em seu acervo objetos e móveis Vintage e Retrô.
 
Já o RETRÔ, significa para trás e confunde-se com o Vintage, mas entenda, o Vintage se trata de um produto original, antigo; o RETRÔ é um design que se inspira no passado, podendo inclusive ter influências de várias décadas num mesmo produto, é algo incrivelmente novo com a aparência muito antiga e faz sucesso pela releitura perfeita da época, ou de um estilo marcante.
 

 
Jean-Loup Moissonier é o craque das reedições de cômodas Louis XV. Já as cores da pátina bricam com humor e vibração
 

Por que você acha que as peças retrôs estão conquistando novamente os clientes?

O Retrô é tendência em diversas áreas, da moda ao design (produto e gráfico) ou até mesmo embalagens. Pesquisas comprovam que peças que nos remetam lembranças do passado são sempre bem-vindas, pois se traduzem como solidez familiar na nossa memória afetiva.


Estas peças aliam bom gosto e conforto?

Sim, porque tanto quando se trata de uma reedição de um vintage ou o revival de um retrô, as peças se baseiam em medidas e estéticas já testadas e aprovadas.

Assim como a moda, podemos afirmar que a decoração é cíclica?

Sim, mas assim como na moda, ela nunca é igual – mudam os acabamentos (tecidos, cores e texturas), as proporções ou até mesmo a conjugação com outros itens.


Por que as peças vintage custam mais caro que peças de móveis atuais?

Porque são originais e escassas. Quanto mais raras, mais caras. Já seu redesign ou releitura pode ser bem mais em conta, pois certamente será fabricado em série.


Em qual cômodo da casa o estilo pode ser utilizado?

Em qualquer local, com exceção dos quartos de crianças e jovens porque NUNCA se ligarão numa História que ainda não existe para eles. As peças antigas colocadas nos quartos dos filhos são SEMPRE escolhas dos pais. Portanto, atenção!


Uma peça vintage pode transformar um ambiente, dando mais estilo e beleza?

Depende, é muito pessoal. Quanto maior tiver sido a convivência da pessoa com algum estilo, mais desejará tê-lo por perto – e o resultado será muito rico, precioso mesmo. “Sem erro” é a composição apenas com complementos ornamentais vintage. Os móveis “de família” são a melhor referência e conforto certo.

 
Posso misturar em um mesmo cômodo, peças de diferentes estilos?Sim, desde que elas dialoguem de forma tranqüila, com dimensões proporcionais aos cômodos. Mas não se deve forçar por “modismo”. O morador deve se identificar com o gênero e sentir-se bem no seu ambiente/casulo - afinal de contas não é o designer de interiores que vai morar lá.


Qual a melhor solução: o contraste ou a harmonia de estilos?

Depende da preferência (e ousadia) do morador e intenção do designer de interiores– as duas soluções podem proporcionar ótimos resultados. Evite, porém, utilizar apenas peças clássicas – isto faz parte do passado.
 
Segue algumas imagens da residência, de clientes muitos especiais, onde procurei reaproveitar e reutilizar os móveis de família: cristaleira, mesa com quatro cadeiras, pendente, bem como mesa e cadeiras de jantar. 
 



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